85% das famílias em Natal fecharam 2025 com dívidas, aponta levantamento

Dinheiro — Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
Dinheiro — Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Cerca de 85% das famílias de Natal fecharam o ano de 2025 com dívidas ativas. Foi o que apontou a Radiografia do Endividamento de 2026, levantamento divulgado nesta terça-feira (19) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio SP).

Segundo a pesquisa, o percentual de famílias endividadas na capital potiguar superou a média nacional, de 80%.

O documento indicou ainda que 32% das famílias de Natal, ou seja, cerca de 3 em cada 10, também estão inadimplentes – atrasaram alguma conta. Esse número representou uma queda nos últimos anos: em 2023, eram 56% das famílias e em 2024 eram 32%.

👉 ENTENDA: O levantamento entende como dívida ter compromissos financieiros futuros que devem ser pagos – como parcelas de cartões de crédito, exemplo – e entende como inadimplência as contas que já venceram e deixaram de ser pagas, as atrasadas.

Natal ficou na 10ª posição entre as capitais com mais famílias endividadas, segundo o levantamento, ao lado de Porto Alegre, Curitiba e Cuiabá, que também tiveram percentual de 85%.

As cidades com mais famílias endividadas foram Fortaleza e Belo Horizonte, com 90%. A menor foi Belém, com 70%.

“Existe uma questão básica que é a falta de educação financeira. As pessoas estão adquirindo crédito pela própria facilidade que existe hoje. Você no ambiente virtual, você consegue o cartão de crédito com taxas de juro altíssimas. Então as pessoas não conseguem honrar esses compromissos e buscam outros mecanismos”, explicou o economista Helder Cavalcanti,.

Ao lado de Palmas, Natal foi a nona cidade com mais famílias endividadas em 2025, segundo o levantamento da Fecomércio SP, com 32%. Apesar disso, o dado representou uma queda em relação aos 56% de 2023.

A capital com menor índice de famílias com contas atrasadas foi João Pessoa, com 12%. Já Belo Horizonte liderou essa estatística, com 65%.

“Na verdade o próprio modelo é montado de uma forma a estimular cada vez mais o consumo. As pessoas não tem educação financeira. As pessoas não tem o hábito de primeiro pegar a renda, avaliar o que pode comprar efetivamente, separar o que é necessidade e o que é desejo”, explicou o economista Helder Cavalcanti.

“Hoje você tem um ambiente virtual que lhe coloca diante de uma quantidade enorme produtos, que vão criar até necessidades novas para você”, reforçou.

O economista Helder Cavalcanti pontua ainda um problema causado pelo maior uso do crédito: deixar de utilizar o dinheiro nas compras do dia a dia e usá-lo no mercado financeiro.

“Reduz a a capacidade de compra. Aquele dinheiro que ele vai aplicar para compras efetivas no mercado está cada vez mais reduzido. Está tudo indo para o mercado financeiro”, falou.

Além disso, ele citou uma preocupação. “Outro fator extremamente preocupante são os jogos, as apostas que tomam um volume também muito significativo da renda dos brasileiros”, comentou.

O economista falou ainda que produziu uma pesquisa que associa diretamente o aumento no nível do endividamento a problemas de saúde mental. Para ele, o principal gargalo segue sendo a falta de educação financeira.

“O grande problema é a educação financeira. As pessoas precisam ser educadas, as famílias precisam ser orientadas a como gerir o seu orçamento de uma forma racional e equilibrada para poder, aí sim, gente ter um mercado que que gire”, falou.

Fonte: g1 RN