O Açude Velho, um dos principais pontos turísticos de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, vem preocupando moradores, pesquisadores e turistas por causa do nível de poluição. Peixes mortos, acúmulo de lixo e bancos de areia vêm sendo vistos no reservatório de água, o que causa mau cheiro. “A impressão que eu tive foi que ele é bem sujo e exala um cheiro bem forte“, disse Nícolas Pontes, turista do Rio de Janeiro na cidade.
Quem mora ou visita a área relata que a situação tem piorado, especialmente em dias quentes. A falta de manutenção regular e o acúmulo de resíduos comprometem a experiência de quem utiliza o local para lazer, prática de exercícios ou turismo.
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A engenheira sanitarista Amanda Torquato explicou que os problemas identificados no Açude Velho são resultado de um conjunto de fatores que se agravaram ao longo dos anos.
Amanda pesquisou o Açude Velho durante pesquisa de pós-graduação, em um mestrado concluído em 2016, e aponta que o acúmulo de sedimentos, como pedras e lodo, reduz a capacidade de armazenamento do reservatório. Com menos espaço para retenção de água, episódios de chuvas mais intensas favorecem transbordamentos e alagamentos no entorno.
A engenheira destaca que esse processo de assoreamento é contínuo e tende a se agravar quando não há intervenções de limpeza e dragagem periódicas. Segundo ela, a combinação entre degradação da água, depósito de resíduos e alterações na dinâmica natural do açude compromete o equilíbrio ambiental e intensifica a percepção de abandono relatada por moradores e turistas.
Diante do avanço da degradação ambiental, especialistas apontam caminhos para recuperar o Açude Velho e reduzir os impactos percebidos pela população. A engenheira Soahd Rached destaca que o reservatório possui mecanismos que poderiam ser melhor aproveitados para melhorar a qualidade da água.
A engenheira sugere o uso de sifões como alternativa para retirar o lodo acumulado na região mais profunda, próxima ao sangradouro. Segundo ela, esse sistema permitiria uma limpeza gradual, impedindo que apenas a parte superior da água seja renovada enquanto a camada inferior permanece estagnada. “Seria uma forma de criar oportunidade de retirada dessa massa que está depositada, permitindo que a água circule de maneira mais eficiente”, disse Soahd.
Pelo lado do poder público, o engenheiro civil Marco Aurélio Coutinho, da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) da Prefeitura de Campina Grande, afirma que a principal intervenção prevista é a dragagem do Açude Velho, etapa fundamental para o desassoreamento.
Enquanto a dragagem não é executada, a prefeitura realiza ações paliativas. As equipes atuam na retirada de materiais orgânicos, limpeza de resíduos flutuantes e manutenção das áreas próximas aos canais. Segundo Marco Aurélio Coutinho, esse trabalho emergencial é acompanhado de iniciativas de conscientização ambiental para reduzir o descarte irregular de lixo que agrava o problema.
Fonte: g1 PB










