Seis dias preso, medida protetiva e vídeos viralizados: o que aconteceu após uma semana da denúncia de violência doméstica contra João Lima

João Lima se apresentou à polícia e foi preso nesta segunda-feira (26) — Foto: Reprodução / TV Cabo Branco
João Lima se apresentou à polícia e foi preso nesta segunda-feira (26) — Foto: Reprodução / TV Cabo BrancoPenitenciária Desembargador Flóscolo da Nóbrega, em João Pessoa, conhecido como presídio do Róger. — Foto: TJPB/DivulgaçãoRaphaella Brilhante falou com exclusividade à TV Cabo Branco sobre agressões — Foto: Reprodução/TV Cabo BrancoINFOGRÁFICO: os principais pontos da prisão do cantor João Lima — Foto: Arte/g1

O cantor João Lima segue preso há seis dias por violência doméstica contra a ex-esposa, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante. O caso veio a público após a divulgação de vídeos que mostram agressões dentro da residência do casal e passou a ser investigado pela Polícia Civil da Paraíba.

A denúncia foi registrada pela vítima, em João Pessoa, no último sábado (24). Desde então, a Justiça decretou a prisão preventiva do artista, concedeu medida protetiva à ex-esposa e manteve o cantor preso após a audiência de custódia.

O g1 relembra, abaixo, os principais pontos do caso a partir do que aconteceu após a denúncia.

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Após se apresentar à Polícia Civil na segunda-feira (26), João Lima passou por audiência de custódia, na qual a Justiça decidiu manter a prisão preventiva decretada no dia anterior.

A decisão considerou os elementos reunidos no inquérito, incluindo vídeos que mostram agressões contra a ex-mulher, e manteve o cantor sob custódia enquanto as investigações seguem em andamento.

A defesa do artista afirmou, em nota, que foi surpreendida com o decreto da prisão preventiva e declarou que João Lima vinha cumprindo as medidas protetivas anteriormente impostas.

Na sexta-feira (30), a defesa de João Lima entrou com um pedido de habeas corpus. No pedido, que será analisado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), a defesa alega que há a ausência de fundamentação pra necessidade da prisão.

João Lima segue, desde então, detido no Presídio Desembargador Flóscolo da Nóbrega, conhecido como Presídio do Roger, em João Pessoa. Ele permanece em um pavilhão destinado exclusivamente a presos que respondem por crimes de violência doméstica.

Segundo a direção da unidade, o espaço abriga cerca de 60 internos, que respondem por crimes como agressão, tentativa de feminicídio e descumprimento de medidas protetivas.

Na mesma unidade prisional também estão custodiados Hytalo Santos e Israel Vicente, que respondem a processos na Justiça da Paraíba. Eles, no entanto, não estão na mesma ala de João Lima. Ambos cumprem prisão em um espaço separado, destinado especificamente a pessoas LGBTQIA+, conforme a organização interna do presídio.

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Raphaella Brilhante procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em João Pessoa, onde registrou um boletim de ocorrência por violência doméstica.

O depoimento da vítima foi colhido pela delegada Marcela Gonçalves, na Central de Polícia Civil da capital.

A Justiça manteve a medida protetiva concedida à Raphaella Brilhante. A decisão proíbe João Lima de se aproximar da ex-esposa, de frequentar a residência onde o casal morava e de manter qualquer tipo de contato com ela ou com familiares.

A medida estabelece ainda uma distância mínima de 300 metros entre o cantor e a vítima.

O pai do cantor, Cicinho Lima, divulgou uma carta aberta nas redes sociais com um pedido público de desculpas à ex-nora, Raphaella Brilhante. A manifestação foi publicada no dia 28 de janeiro, enquanto o artista já estava preso preventivamente.

No texto, Cicinho afirmou ter aguardado o momento de “cumprir o papel de pai”, ao entregar o filho às autoridades, e declarou repúdio aos atos atribuídos ao cantor. Ele também disse esperar que João Lima responda judicialmente pelas agressões.

A defesa de Raphaella, no entanto, criticou o gesto. Segundo a advogada Dayane Carvalho, o pedido de desculpas ficou restrito às redes sociais e não houve contato direto com a vítima fora do ambiente virtual.

De acordo com o posicionamento da defesa, Raphaella, a advogada e a mãe dela foram bloqueadas nas redes sociais do ex-sogro, o que, segundo a manifestação, impediu que o pedido chegasse efetivamente à vítima.

Após os episódios de violência, uma gravação de conversa por telefone entre João Lima e Raphaella Brilhante veio a público. No áudio, obtido pela TV Cabo Branco, o cantor afirma não se lembrar das agressões mencionadas pela ex-esposa.

Durante a ligação, Raphaella relata dores físicas e cobra um pedido de desculpas que reconheça a gravidade dos fatos.

Em resposta, João Lima afirmou que não estaria invalidando o relato, mas declarou não ter memória dos episódios. “O meu problema é que eu não tenho memória disso aí que você me mostrou. Eu não estou dizendo que é mentira“, disse.

Raphaella rebateu dizendo que as agressões não foram isoladas e que ocorreram desde o casamento, inclusive após apresentações do cantor.

Após a repercussão do caso, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante falou publicamente sobre as agressões que, segundo ela, sofreu do cantor João Lima. Em entrevista exclusiva à TV Cabo Branco, exibida na segunda-feira (26), ela afirmou que as violências começaram ainda na lua de mel, poucos dias depois do casamento, celebrado em novembro de 2025.

Na entrevista, a médica detalhou que precisava informar horários, deslocamentos e até o tempo que permanecia fora de casa. “Se eu passasse mais que uma hora na academia, ele começava a dizer que eu estava fazendo alguma coisa de errado”, afirmou.

Raphaella também se manifestou nas redes sociais. Em publicação feita no domingo (25), após a divulgação dos vídeos das agressões, ela afirmou estar enfrentando “uma dor que atravessa o corpo, a alma e a história” e disse que não há palavras para explicar o impacto da violência em sua vida.

Denúncias de estupros, tentativas de feminicídios, feminicídios e outros tipos de violência contra a mulher podem ser feitas por meio de três telefones:

Fonte: g1 PB