Áudios de um dos inquéritos da Polícia Civil que indiciou o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires, conhecido como “Bomba” e Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”, mostram a atuação do grupo criminoso em um esquema de desvios de drogas da corporação. OUÇA ACIMA.
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Todos os citados foram indiciados nessa investigação, de acordo com documento que o g1 teve acesso nesta quinta-feira (16). Ainda há um outro inquérito, em que tanto o delegado quanto os agentes da Polícia Civil são investigados pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Nos áudios em questão, quem aparece falando é o agente Everton Aires, o Bomba. Ele explica os tipos de drogas que o grupo tinha. O interlocutor dele era o também investigado João Wicttor Alves de Lima.
De acordo com o inquérito, a conversa ocorreu no dia 12 de setembro de 2025, às 14h13, poucas horas após o grupo investigado ter invadido um apartamento no bairro João Paulo II, em João Pessoa, para subtrair entorpecentes.
Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge estão presos temporariamente desde a Operação Perfídus, deflagrada no início de junho.De acordo com o relatório final do inquérito o delegado e os agentes foram indiciados especificamente pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
A defesa de Everton Aires informou que não tem conhecimento sobre a conclusão do inquérito. A defesa de Eduardo Jorge declarou que “até aqui” não consegue se “pronunciar sobre o conteúdo de possível pedido de prisão, desejando apenas que possamos ter um processo democrático, justo e honesto”.
O g1 procurou adefesas de Braz Morroni, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Segundo a investigação, o indiciamento por furto qualificado ocorreu porque os policiais são suspeitos de retirar parte das drogas encontradas durante uma ação em um apartamento, em setembro de 2025. O relatório aponta que havia cerca de 60 kg de drogas no imóvel, mas apenas 3 kg foram oficialmente apresentados na delegacia. A diferença corresponde a um valor de mercado estimado em R$ 2,1 milhões.
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O crime de falsificação de documento público está relacionado ao boletim de ocorrência registrado três dias após a ação. Conforme o inquérito, o documento apresentou informações incompatíveis com o que foi encontrado no apartamento, principalmente sobre a quantidade de drogas apreendida.
Já o indiciamento por abuso de autoridade tem como base a conclusão da investigação de que os policiais entraram no imóvel sem autorização do morador, sem decisão judicial e sem situação de flagrante que justificasse a entrada. Para a Polícia Civil, os investigados utilizaram a função pública para dar aparência de legalidade à ação.
O crime de fraude processual foi atribuído porque, segundo a investigação, apenas parte das drogas encontrada foi encaminhada para a perícia, alterando o conjunto de provas que seria analisado durante a investigação e em eventual processo criminal.
Ao pedir a prisão preventiva, a Polícia Civil afirmou que “qualquer outra medida cautelar é insuficiente” e que a adoção de outra medida “poderá levar a cabo todo o trabalho policial e ocasionará numa possível fuga e apagamento de provas”.
A Polícia Civil informou que as suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico são investigadas em outro inquérito. Segundo o relatório, a separação foi adotada para evitar tumulto processual, confusão na análise das provas e prejuízo à compreensão dos fatos.
O delegado e os demais investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, localizado em João Pessoa.
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.
Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”. De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.
O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”. O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.
Outros presos da operação:
O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de 20 anos de carreira, o delegado já passou por outras delegacias, como a de Repressão a Entorpecentes.
Segundo as investigações, a organização criminosa contaria com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas. O nome da operação, Perfídus, significa “traição” ou “deslealdade” e faz referência à conduta atribuída aos investigados.
Fonte: g1 PB






