Bolsonaro defende direitos humanos de presos do 8/1 após tratar pauta como ‘esterco’

O ex-presidente Jair Bolsonaro participa da convocação de um ato em defesa do Estado democrático e dos direitos humanos para os presos dos ataques de 8 de janeiro. Organizado por Silas Malafaia, com apoio de Bolsonaro e outros líderes da direita bolsonarista, o evento surge após a morte de Cleriston Pereira na penitenciária da Papuda. A manifestação, agendada para a avenida Paulista, em São Paulo, busca homenagear Cleriston, réu nos ataques de janeiro, cuja liberdade provisória havia sido defendida pela PGR em novembro, mas ainda não havia sido decidida pelo ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro, que no passado tratou temas de direitos humanos pejorativamente, associando-os a “direitos de bandidos” e “esterco da vagabundagem”, expressou apoio à manifestação. No entanto, a sua presença ainda é incerta devido ao receio de críticas e ataques ao STF, onde enfrenta processos judiciais. O ex-presidente, conhecido por adotar uma postura contrária aos direitos humanos, especialmente durante sua campanha eleitoral e início de mandato, agora demonstra preocupação com a situação carcerária após as prisões relacionadas aos ataques de janeiro.

A mudança de postura em relação aos direitos humanos é notável, já que Bolsonaro e seus seguidores associavam essa pauta à esquerda e à impunidade, defendendo punições mais severas. No passado, Bolsonaro, mesmo participando da Comissão de Direitos Humanos na Câmara, expressou críticas a essa área. Agora, ao convocar um ato em memória de um réu, Bolsonaro ressignifica sua abordagem em relação aos direitos humanos, enquanto seu governo nunca priorizou melhorias nas condições carcerárias.

É importante observar a contradição entre a postura anterior de Bolsonaro, que desconsiderava os direitos humanos, e a atual convocação para um evento em sua defesa. Isso reflete uma mudança estratégica na retórica política do ex-presidente, que, após as prisões de janeiro, passou a discutir as condições carcerárias e a criticar a situação dos encarcerados, alinhando-se ao discurso de seus apoiadores e parlamentares bolsonaristas.