Natal fechou o ano de 2025 com 3.108 novos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O número consolida uma tendência de alta observada ao longo do ano e reforça o alerta feito pelo próprio Plano Municipal de Saúde da capital, que já apontava recorde de casos de aids entre adultos.
Do total de 3.108 casos notificados entre janeiro e dezembro de 2025, a sífilis foi de longe a infecção mais registrada, com 2.201 casos — o equivalente a cerca de 71% de tudo o que foi diagnosticado no município. Em seguida vêm o HIV/Aids, com 774 registros, e as hepatites virais, com 133 casos.
Boletins publicados pela SMS ao longo do ano mostram a curva de crescimento mês a mês: até junho, Natal somava 1.668 casos; entre janeiro e agosto, a sífilis isolada já chegava a 1.536 registros; e no acumulado de dez meses o total de ISTs havia passado de 2,7 mil. O ritmo dos primeiros meses de 2026 segue elevado — de janeiro a abril já foram contabilizados 873 novos casos na cidade.
O avanço das ISTs em Natal não é um dado isolado. O Plano Municipal de Saúde recém-aprovado pela Prefeitura já havia identificado um recorde de casos de aids em adultos: 733 registros em 2024, ante 431 em 2020. No mesmo período, a sífilis adquirida na capital saltou de 729 para 1.818 casos. O documento também aponta baixas coberturas vacinais infantis na cidade, o que soma-se ao quadro de vulnerabilidades em saúde pública apontado pela gestão municipal.
Os números de Natal acompanham uma tendência estadual preocupante. De acordo com o mais recente boletim epidemiológico sobre HIV/Aids, o Rio Grande do Norte acumulou 18.664 pessoas vivendo com HIV ou aids entre 1980 e setembro de 2025. Somente nos últimos anos, o estado tem registrado entre 800 e 1.200 novos casos anuais, com 1.229 registros em 2024.
O RN se destaca ainda por dois indicadores negativos na comparação nacional:
O boletim também chama atenção para o Rio Grande do Norte na notificação de crianças expostas ao HIV: o estado teve 146 crianças expostas notificadas para 120 gestantes com o vírus, uma razão de 121,7% — a terceira maior do país, atrás apenas de Tocantins e Amapá, o que pode indicar falhas de vinculação entre os registros da mãe e do filho no sistema de vigilância.
Em todo o Brasil, 1.679.622 pessoas vivem ou já viveram com HIV/Aids desde 1980, com o Sudeste concentrando quase metade dos casos (47,3%). Somente em 2024, o país notificou 39.216 novos casos de infecção pelo HIV, com taxa de detecção de 18,4 por 100 mil habitantes — puxada, sobretudo, pela retomada da testagem nas regiões Norte e Nordeste após a pandemia de Covid-19. A população negra passou a concentrar 59,7% das notificações em 2024, ante 49% de casos entre pessoas brancas até 2014, uma inversão que reflete tanto o perfil de acesso ao diagnóstico quanto os determinantes sociais da epidemia.
A SMS mantém ao longo do ano ações de testagem rápida e distribuição de preservativos em grandes eventos da cidade, como Carnaval e São João — somente no São João de 2025, mais de 32 mil insumos de prevenção foram distribuídos na Arena das Dunas. O município também ampliou, em dezembro de 2025, a dispensação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para novas unidades de saúde. A PrEP e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição, iniciada em até 72 horas após o risco de contágio) são oferecidas gratuitamente pelo SUS.
Em nível nacional, a Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antirretroviral usado no tratamento do HIV no país e hoje utilizado por mais de 770 mil pessoas vivendo com o vírus no Brasil — um passo que deve reforçar o abastecimento do medicamento distribuído gratuitamente pelo SUS, inclusive em Natal.
Fonte: Blog Jair Sampaio










