Colômbia volta às urnas hoje para 2º turno com queda de braço entre candidato apoiado por Petro e a direita apoiada pelo presidente Trump

As urnas abriram neste domingo na Colômbia para o segundo turno das eleições presidenciais, em uma disputa que se tornou uma “queda de braço” entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o norte-americano Donald Trump. O resultado pode cimentar a onda de governos da direita na América Latina.

Em desafio a Petro, Trump entrou em campanha aberta, como tem feito em pleitos da região desde que voltou à Casa Branca, e declarou apoio a Abelardo de la Espriella.

Candidato da extrema direita, Espriella venceu o primeiro turno e enfrentará agora Iván Cepeda, o esquerdista apoiado por Gustavo Petro e visto como a continuidade de seu governo — a Constituição colombiana proíbe a reeleição, e Petro, que governa desde 2022, terá de deixar o poder.

O páreo é apontado pela imprensa colombiana como o mais antagônico da história recente do país:

Foi justamente esse ponto que fez Espriella disparar no primeiro turno das eleições.

Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.

“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.

Cepeda apostou no caminho contrário: disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.

Mas foi o discurso do candidato da extrema direita que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia – fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.

Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.

“A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters.

Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis.

Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Ivan Cepeda.

Fonte: Blog Jair Sampaio