Governo Lula vê tentativa de Tarcísio de negociar com EUA como manobra para reduzir críticas após tarifa de Trump

Governo Tarcísio de Freitas. Foto — ©Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo Lula minimizou a tentativa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de se posicionar como interlocutor nas negociações com os Estados Unidos após o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, imposta por Donald Trump. Integrantes do Planalto e aliados do presidente veem a movimentação como uma estratégia para conter críticas e preservar sua imagem diante da pressão política e empresarial.

Tarcísio, que chegou a telefonar para ministros do STF pedindo autorização para que Jair Bolsonaro viajasse aos EUA para negociar diretamente com Trump, foi visto com ceticismo pelo governo federal. A ideia foi classificada como “fora de propósito” e até “gravíssima“, sendo interpretada como uma possível tentativa de fuga do ex-presidente, réu por tentativa de golpe.

Para auxiliares de Lula, Tarcísio não tem autoridade formal para conduzir negociações internacionais e seu encontro com Gabriel Escobar, encarregado da embaixada americana no Brasil, teve pouco peso prático. Além disso, o gesto gerou desconforto com o STF, a base bolsonarista e o próprio empresariado paulista, que esperava respostas mais eficazes.

Aliados de Trump, como Eduardo Bolsonaro e o ex-apresentador Paulo Figueiredo, criticaram a iniciativa de Tarcísio, afirmando que qualquer acordo com os EUA depende de uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para Bolsonaro. O gesto foi lido como mais um sinal do dilema político do governador, que tenta equilibrar sua ligação com o bolsonarismo e a necessidade de manter pontes institucionais.

No Congresso, o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), afirmou que Tarcísio buscou protagonismo nacional, mas acabou exposto. “Até na ditadura havia nacionalismo. Hoje, são subservientes”, criticou.