Inspeção aponta problemas estruturais e efetivo reduzido em obra no Hospital Municipal de Natal

Hospital Municipal de Natal, no Pitimbu, teve inauguração em dezembro de 2024, mas nunca funcionou — Foto: Thiago César/Inter TV Cabugi
Hospital Municipal de Natal, no Pitimbu, teve inauguração em dezembro de 2024, mas nunca funcionou — Foto: Thiago César/Inter TV CabugiRelatório mostra pontos de infiltração e fissuras — Foto: MPRNObra segue em andamento no Hospital Municipal de Natal — Foto: Thiago César/Inter TV Cabugi

Uma inspeção de rotina solicitada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) à qual o g1 teve acesso apontou problemas estruturais, riscos de infiltação e efetivo reduzido na obra do Hospital Municipal de Natal, além de indicar que a área de consultas, internações e cirurgias estava em fase inicial de construção.

A unidade teve a sua primeira etapa inaugurada em dezembro de 2024, pelo então prefeito Álvaro Dias, mas nunca funcionou. De acordo com o Município, a obra tem custo total de R$ 160 milhões.

A avaliação foi feita por um engenheiro civil dentro do Projeto Obra Fácil, que, segundo o relatório do MP, “tem como finalidade realizar inspeções técnicas in loco em obras em andamento, com foco exclusivo na análise qualitativa dos serviços em execução”.

O relatório, que foi entregue em dezembro do ano passado, não analisou custos ou aspectos relacionados à auditoria da obra.

Em nota, o MP informou que o relatório faz parte do acompanhamento contínuo que a instituição realiza desde a execução da obra.

Segundo o MP, o documento está em análise na Promotoria para encaminhamentos, “incluindo oportunizar ao consórcio responsável pela obra esclarecimentos e prazos para providências”.

“A Promotoria de Justiça informa que acompanha o andamento da obra de forma administrativa, não se furtando de adotar medidas judiciais cabíveis, caso sejam necessárias”, citou o MP.

O g1 procurou a prefeitura de Natal para comentar sobre o relatório e sobre o prazo para conclusão do hospital, mas não recebeu respostas até a atualização mais recente desta reportagem.

A inspeção separou a unidade em três blocos: área administrativa, ambulatório e bloco hospital. Os problemas encontrados por bloco, foram:

Área Administrativa

O relatório cita um “avanço significativo” nas áreas técnica e administrativa do hospital e diz que apesar da falta de acesso aos projetos e planilhas para avaliar o percentual físico-financeiro, “de forma geral, observou-se um ritmo avançado de execução”.

Os problemas identificados requerem “maior atenção” para evitar possíveis impactos na qualidade final da obra, segundo o documento.

Ambulatório

Segundo o relatório, a obra está em estágio final de conclusão, apresentando um bom padrão de acabamento.

Apesar disso, cita o documento, existe a “necessidade de correção de itens de serviço e apresentação de pareceres técnicos acerca de uma patologia estrutural identificada”.

Bloco Hospital

O Bloco Hospital será destinado às atividades de consultas, internações e cirurgias. Segundo o documento, a obra estava em fase inicial, tendo sido iniciadas etapas de execução das fundações, das estruturas de contenção, dos pilares e das estruturas auxiliares.

Segundo o documento, os elementos executados apresentaram um bom padrão de acabamento externo.

O relatório também aponta algumas recomendações em relação às obras.

Sobre a fissura encontrada no ambulatório, o documento diz que por meio da análise visual apenas não é possível determinar se o que motivou a fissura já parou ou ainda está em curso, o que poderia representar risco potencial à estabilidade da edificação e à segurança dos usuários.

A recomendação, nesse caso, foi elaborar um laudo técnico estrutural.

Já em relação às infiltrações – que teriam sido causadas por falhas pontuais no teste do sistema de climatização que já teriam sido corrigidas – a recomendação foi realizar novos testes de verificação funcional do sistema de climatização. A medida é recomendada para evitar degradação da construção e problemas como fungos.

As fissuras encontradas em placas de concreto e nas muretas do telhado, segundo o documento, podem funcionar como pontos de entrada de umidade e infiltração, principalmente em períodos de chuvas intensas, o que deve ser avaliado.

O relatório cita ainda a exposição direta das armaduras de aço às ações ambientais, o que favorece o início de processos corrosivos superficiais, que tendem a se propagar para o interior do concreto se não forem previamente tratados.

Fonte: g1 RN