O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, deixa o governo Lula nesta sexta-feira (9), encerrando uma gestão marcada por desgastes na área da segurança pública e pela dificuldade de avançar com suas principais propostas no Congresso Nacional. Em carta de demissão enviada ao presidente, o ministro apontou limitações políticas, conjunturais e orçamentárias como entraves ao seu trabalho.
Ex-ministro do STF, Lewandowski cumpriu o papel de reaproximar o governo do Judiciário, mas não conseguiu consolidar uma marca própria à frente da pasta. Durante sua gestão, crises como a fuga de detentos do presídio federal de Mossoró e uma operação policial no Rio de Janeiro com mais de 100 mortos aumentaram a pressão sobre o ministério.
Entre as principais apostas estavam a PEC da Segurança e o PL Antifacção, considerados relevantes por especialistas, mas que seguem em tramitação na Câmara. A lentidão reforçou críticas da oposição e evidenciou a disputa política em torno da agenda da segurança pública.
Apesar das dificuldades, a gestão registrou avanços, como o fortalecimento do Fundo Nacional de Segurança Pública, a criação do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, a Operação Carbono Oculto contra o PCC, além de programas como o protocolo do uso da força, câmeras corporais, Celular Seguro e ações de apoio social e psicológico a profissionais da área.
Lewandowski deixa o ministério com um legado de iniciativas estruturantes, mas com projetos centrais ainda pendentes, refletindo os desafios históricos do tema da segurança pública no país.
Fonte — ©Seridó no AR.





