O que o Papai Noel faz no São João? Na Paraíba, ele veste xadrez e faz fogueiras

Roupa de papai noel utilizada em dezembro — Foto: Arquivo Pessoal/Zemilton Feitosa
Roupa de papai noel utilizada em dezembro — Foto: Arquivo Pessoal/Zemilton FeitosaZemilton Feitosa é papai noel há 30 anos — Foto: Arquivo Pessoal/Zemilton FeitosaZemilton Feitosa faz o trabalho de papai noel voluntário — Foto: Arquivo/Zemilton FeitosaPapai noel em junho, veste xadrez e produz fogueiras artesanais — Foto: Reprodução/TV Cabo BrancoFogueiras produzidas pelo papai noel — Foto: Arquivo Pessoal/Zemilton FeitosaZemilton durante o período natalino — Foto: Arquivo Pessoal/Zemilton Feitosa

🎅🏼 Todo mês de dezembro, ele ocupa um lugar especial nas vitrines, nos centros comerciais e, principalmente, no imaginário das crianças. Vestido de vermelho, barba branca impecável e sorriso acolhedor, o Papai Noel se torna um dos personagens mais queridos do ano. Mas quando o Natal fica para trás e junho chega ao som da sanfona e do cheiro de milho cozido, surge uma curiosidade: o que o Papai Noel faz durante o São João?

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Na Paraíba, a resposta passa pela história de Zemilton Feitosa, artesão de 69 anos nascido em Sousa, no Sertão do estado, e que há três décadas dá vida ao bom velhinho. Nordestino apaixonado pelas tradições da sua terra, ele troca temporariamente o vermelho pelo xadrez, mas continua carregando a mesma missão: espalhar alegria.

Com 30 anos de atuação como Papai Noel, Zemilton se tornou uma figura conhecida por onde passa. A barba branca e a aparência que lembra o personagem fazem com que ele seja reconhecido durante todo o ano.

A história começou em 1995, quando Zemilton morava em Campinas, no interior de São Paulo. Na época, ele era voluntário em uma instituição de caridade. Mesmo sem a tradicional barba branca, já chamava atenção das crianças.

Foi naquele ambiente que viveu uma cena que mudaria sua trajetória. Uma criança se aproximou dele logo após o Natal e fez uma reclamação que ele nunca esqueceu.

A espontaneidade da fala arrancou sorrisos, mas também despertou algo maior. Incentivado pela direção da instituição, ele aceitou interpretar o personagem em uma festa de fim de ano. O que seria apenas uma experiência temporária se transformou em uma missão para a vida inteira.

Desde então, passou a dedicar grande parte do seu trabalho voluntário a crianças com deficiência, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Se em dezembro Zemilton espalha o espírito natalino, em junho ele dedica os dias a outra paixão: as fogueiras artesanais iluminadas que produz manualmente.

O artesanato surgiu como alternativa às fogueiras tradicionais de madeira, cada vez mais restritas nos centros urbanos. Utilizando materiais recicláveis, ele encontrou uma maneira de manter viva uma das imagens mais simbólicas das festas juninas.

As fogueiras são produzidas a partir de tubos de papelão descartados por clínicas, caixas de televisão reaproveitadas, embalagens plásticas e outros materiais que ganham nova vida pelas mãos do artesão. Segundo ele, cerca de 70% da estrutura é feita com material reciclável.

Cada peça exige horas de trabalho. Algumas chegam a utilizar centenas de pequenas tiras de papelão para reproduzir os detalhes dos troncos de madeira.

O projeto começou de forma simples, quase como um teste. Ao longo dos anos, foi sendo aperfeiçoado até se tornar uma marca registrada do artesão paraibano.

Ao longo da conversa com o g1, Zemilton demonstra que guarda um carinho especial pelas duas festas mais populares do calendário brasileiro. Para ele, cada uma desperta sentimentos diferentes, mas igualmente importantes.

Entre uma fogueira iluminada e outra, entre o vermelho do Natal e o colorido das bandeirinhas, ele segue sendo o mesmo personagem que conquistou gerações de crianças ao longo dos últimos 30 anos.

Um Papai Noel que não desaparece quando dezembro termina.

Na Paraíba, ele continua presente durante todo o ano celebrando tradições, espalhando afeto e provando que a magia pode ter sotaque nordestino e vestir xadrez durante o São João.

*Sob supervisão de Erickson Nogueira

Fonte: g1 PB