Padre denuncia suposto erro em obra pública após demolição de igreja histórica em João Pessoa

Paróquia Nossa Senhora das Dores, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa — Foto: Janinne Vivian / g1
Paróquia Nossa Senhora das Dores, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa — Foto: Janinne Vivian / g1Praça está sendo construida em frente à paroquia, em Mangabeira — Foto: Janinne Vivian / g1Paróquia Nossa Senhora das Dores, no bairro de Mangabeira, antes da demolição — Foto: Arquivo pessoal/Raphaela FelixTerreno em frente a igreja Nossa Senhora das Dores, em João Pessoa — Foto: Janinne Vivian / g1Novo projeto arquitetônico da paróquia Nossa Senhora das Dores foi feito por fiéis, em João Pessoa — Foto: Reprodução / @paroquiansdoresFiés celebram missa na parte externa do terreno da igreja Nossa Senhora das Dores, em João Pessoa — Foto: Arquivo Pessoal / Padre Paulo HenriquePraça Bosque das Águas, na Rua Comerciante José Cândido dos Santos, em João Pessoa — Foto: Reprodução / TV Cabo BrancoPraça acumula entulhos e registra falta de poda e limpeza, em Mangabeira — Foto: Reprodução / TV Cabo BrancoPraça localizada na Rua Airton Pinheiro de Farias, em Mangabeira — Foto: Janinne Vivian / g1Praça na Rua Francisco Rocha Ferreira, em Mangabeira, João Pessoa — Foto: Janinne Vivian / g1

O que hoje é um terreno vazio no bairro de Mangabeira, na Zona Sul de João Pessoa, já foi o primeiro templo religioso do bairro. A demolição da Paróquia Nossa Senhora das Dores, que aconteceu em agosto de 2025, é atribuída, segundo a paróquia, a problemas estruturais que teriam surgido após intervenções feitas durante uma obra pública no entorno do templo.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp

O terreno da antiga igreja Dorinha, como é conhecida, fica na Avenida Coronel Calixto. De acordo com o pároco Paulo Henrique, as alterações na estrutura ocorreram durante a construção de uma praça pela Prefeitura de João Pessoa, iniciada em janeiro de 2025, em frente à paróquia.

Com receio de possíveis desabamentos causados por infiltrações e rachaduras, a demolição do templo foi definida após avaliação técnica e com anuência da Arquidiocese.

Procurada pelo g1, a Arquidiocese da Paraíba informou que acompanha o caso e que as informações repassadas pelo padre refletem, também, o entendimento da instituição.

O g1 entrou em contato com a Prefeitura de João Pessoa e com a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) sobre o suposto erro de obra, mas apesar das diversas tentativas, não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Mangabeira completou 43 anos na última quinta-feira (23). Com mais de 70 mil habitantes, o bairro é o mais populoso da capital. A igreja, segundo o pároco, foi erguida em 1944, passou por duas reformas ao longo da história e foi o primeiro templo religioso do bairro.

Segundo o padre Paulo, durante o início das obras na praça, a calçada lateral da igreja foi retirada, o que, segundo ele, aconteceu sem permissão e de forma irregular. Com a estrutura exposta, surgiram infiltrações e rachaduras, agravadas pelas chuvas de maio do mesmo ano.

Tapumes chegaram a ser instalados, mas foram furtados. Ainda de acordo com o padre, técnicos chegaram a avaliar alternativas de reforço, mas a solução não avançou por falta de segurança.

O padre afirma que a prefeitura informou que não se considera causadora da situação e não se dispôs a colaborar com a reconstrução do templo. Ele também contesta versões de que a igreja apresentava risco iminente antes das intervenções no entorno.

Segundo a paróquia, o projeto de reconstrução da igreja está orçado em R$ 2,2 milhões e foi dividido em três etapas. A primeira prevê aterro e construção do muro. A segunda envolve a fundação e a montagem da estrutura pré-moldada. A terceira corresponde ao fechamento em alvenaria.

A antiga matriz tinha cerca de 350 metros quadrados. O novo projeto prevê aproximadamente mil metros quadrados, com capacidade para 716 pessoas sentadas.

Ainda segundo o padre, já foram executadas a drenagem pluvial, a demolição da antiga matriz e a devolução do terreno. A prioridade agora é a reconstrução do muro, por segurança. A previsão era iniciar essa etapa em 15 de abril, mas, segundo apuração do g1 no local, a obra ainda não foi iniciada.

Para viabilizar a obra, a paróquia lançou uma campanha de arrecadação em março de 2026. Uma equipe de paroquianos foi formada para auxiliar no processo.

A demolição da igreja também afetou fiéis que tinham eventos marcados para o espaço. Emanuela Cavalcante conta que frequentava a paróquia desde a infância e que o espaço fazia parte da rotina da comunidade.

Em maio de 2025, ela e o esposo, já casados no civil, decidiram realizar a cerimônia religiosa. O casamento foi marcado quando a igreja ainda estava de pé. Meses depois, segundo ela, veio a informação de que o templo seria demolido. O casamento foi cancelado e o casal precisou encontrar, às pressas, outro templo.

Moradores de Mangabeira também relatam problemas de manutenção em praças do bairro. Na Praça Bosque das Águas, na Rua Comerciante José Cândido dos Santos, há relatos de lixo acumulado, falta de poda, brinquedos quebrados e uma ponte danificada, com reparos improvisados feitos por moradores.

Catarina da Costa, que mora há mais de 30 anos no bairro, afirma que a situação se agrava à noite.

Em nota, a Secretaria de Serviços Urbanos e Zeladoria (Sesuz) informou que enviou uma equipe ao local na quarta-feira (22). Segundo Catarina, os serviços foram iniciados, mas não finalizados, e os problemas permanecem.

Há relatos semelhantes em uma praça localizada na Rua Airton Pinheiro de Farias, também em Mangabeira. Segundo moradores, há acúmulo de lixo e entulhos, pontos com água parada, estruturas danificadas e falta de iluminação.

Já a praça da Rua Francisco Rocha Ferreira apresenta brinquedos danificados, vegetação sem poda e quadras esportivas com grades quebradas e partes enferrujadas.

Sobre isso, o g1 entrou em contato com a Sesuz, que informou que estarão atendendo todas as praças de Mangabeira com os serviços de Zeladoria e Manutenção em 30 dias.

Fonte: g1 PB