Padre viraliza ao relatar desafios por autismo, na PB: ‘Missa, assim como o mundo, não foi feita para autistas’

Padre viraliza ao relatar desafios por autismo, na PB — Foto: Youtube/Câmara Municipal de Patos
Padre viraliza ao relatar desafios por autismo, na PB — Foto: Youtube/Câmara Municipal de Patos

O padre Rodrigo Trindade, da Diocese de Patos, no Sertão da Paraíba, viralizou nas redes sociais ao compartilhar o processo de diagnóstico e os desafios pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante uma audiência pública na Câmara Municipal.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp

A sessão foi realizada em 27 de abril e era voltada justamente para discutir as questões que envolvem o autismo, e acabou ganhando repercussão nas redes sociais com trechos da fala do clérigo, com comentários de pessoas e apoio ao padre.

O padre destacou a dificuldade que pessoas diagnosticadas, como ele, enfrentam em diversas áreas, assim como na Igreja.

Um outro aspecto comentado por ele foi quando compartilhou as próprias dificuldades que enfrenta ao celebrar missas. Ele exemplificou que algumas crianças fazem brincadeiras durante as missas, o que costuma ser um fator dificultante para ele. Ao pensar nessas crianças, ele disse também se colocar no lugar delas, porque um dia quando os familiares o levavam à missa, ele costumava fazer brincadeiras também.

O padre ressaltou também que durante as missas, quando eventualmente alguém que o ajuda nas leituras litúrgicas traz um livro de cabeça para baixo, ele não consegue dizer para corrigir e colocar o livro de uma forma que seja possível ler. Ele tenta ler mesmo de cabeça para baixo.

Rodrigo Trindade atualmente tem 40 anos e foi diagnosticado com autismo há cerca de três anos, já na vida adulta. O processo de diagnóstico foi feito com acompanhamento de profissionais. Ele disse que o sentimento de inadequação é muito grande e que precisa “se justificar” para as pessoas sobre a condição.

O padre, durante a audiência na Câmara Municipal estava com o cordão de identificação de pessoas autistas e também ressaltou que utiliza o objeto corriqueiramente, assim como estava naquela oportunidade.

O padre relatou que o processo até o diagnóstico de autismo foi longo e marcado por dúvidas, deslocamentos e desgaste emocional, inclusive de pessoas próximas. Segundo ele, a investigação começou após dois anos de acompanhamento psicológico.

Também foi relatado que ele chegou ao conhecimento de ter autismo após receber acompanhamento psicológico com uma profissional da área. Ele explica o passo a passo pelo qual passou até receber o diagnóstico.

Ao todo, ele passou por dez sessões em João Pessoa, precisando sair de madrugada da cidade onde mora para conseguir retornar a tempo de celebrar as missas das quintas-feiras.

O religioso afirmou que buscou a avaliação especializada para entender melhor os sinais apontados durante a terapia, mas revelou dificuldade em aceitar o resultado.

Durante o relato, o padre também falou sobre o impacto emocional provocado pelo preconceito em torno do diagnóstico.

Fonte: g1 PB