Paraibana vítima de feminicídio em São Paulo ‘não via maldade nas coisas’, diz irmão

Isabella Fonseca Barbosa, de 33 anos, foi encontrada morta em imóvel abandonado; João Pedro da Silva Barroso que mantinha relacionamento com ela foi preso horas depois. — Foto: Reprodução
Isabella Fonseca Barbosa, de 33 anos, foi encontrada morta em imóvel abandonado; João Pedro da Silva Barroso que mantinha relacionamento com ela foi preso horas depois. — Foto: ReproduçãoJoão Pedro foi autuado por feminicídio por matar a companheira — Foto: Reprodução

Isabela Fonseca, paraibana morta em São Paulo na noite de segunda-feira (10), é descrita pelo irmã, Davi Fonseca, como uma pessoa sem maldade. O corpo dela foi enterrado nesta sexta-feira (14), em João Pessoa, cidade onde nasceu e cresceu.

A jovem, que deixa dois irmãos: Davi, de 34 anos, e Débora, de 31, havia se mudado para São Paulo há 10 meses para trabalhar.

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Além do trabalho, Isabela foi atraída pelas opções culturais de São Paulo. “Apaixonada por jornalismo, ela gostava muito de artes, dessa coisa cultural. Ela cantava muito também, cantava. Ela, quando era mais nova, na igreja, participava de teatro”, contou o irmão.

Os irmãos se falaram pela última vez uma semana antes do crime. Davi Fonseca tinha uma escala de voo em São Paulo e os dois estavam combinando de se encontrar, mas não conseguiram.

Inicialmente, a intenção de Isabela era morar com o pai na capital paulista. No entanto, como a casa dele ficava distante do trabalho dela, a jovem alugou um quarto em uma república na Vila Mariana, na zona sul da cidade. Foi no local que ela conheceu João Pedro, suspeito do crime.

De acordo com Davi, a irmã e o suspeito nunca chegaram a oficializar um namoro. Isabela sabia que o rapaz era dependente químico e tentava ajudá-lo a sair do vício.

O irmão relatou que João Pedro estava em recuperação, mas teve uma recaída nos últimos meses. “Segundo algumas informações que eu peguei, ele era um cara tranquilo, apesar de ter usado drogas. Ele estava se recuperando, mas, de uns tempos para cá, eu acho que desde fevereiro em diante, ele começou a cair nas drogas, aumentar mesmo o uso e começou a ficar com atitudes violentas. Eles não chegaram a oficializar nenhum tipo de namoro”, disse Davi.

O enterro ocorreu na manhã desta quinta-feira (14), no Cemitério Senhor da Boa Sentença, também na capital. As informações foram confirmadas ao g1 pelo irmão de Isabela, Davi Fonseca.

Isabela foi morta na noite da segunda-feira (10), na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Segundo a polícia, ela morreu após ser atacada por um homem que, segundo a polícia, deu um “mata-leão”, bateu a cabeça dela contra o chão várias vezes e quebrou as pernas da vítima.

O suspeito, João Pedro da Silva Barroso, de 28 anos, foi preso horas depois e autuado por feminicídio. À polícia, ele afirmou manter um relacionamento com a vítima. Em audiência de custódia na terça-feira (11), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O caso foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com a Polícia Civil, Isabela foi encontrada morta no recuo de um imóvel, na Rua Doutor Fabrício Vampré, na Vila Madalena.

Segundo o boletim de ocorrência, um vigilante viu Isabela caminhando com um homem enquanto os dois discutiam. Depois de alguns minutos, o homem voltou correndo sozinho. O vigilante perguntou onde estava a mulher, e ele respondeu que ela “havia ido embora”.

Câmeras de segurança registraram o casal caminhando pela região e, minutos depois, o suspeito retornando sozinho (veja o vídeo abaixo).

Desconfiado, o vigilante passou a procurar por Isabela e a encontrou caída no imóvel. O Samu foi acionado, mas a médica que esteve no local constatou a morte. Ainda segundo o boletim, Isabela apresentava diversas lesões e tinha o rosto desfigurado. A perícia foi acionada, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

Após a localização do corpo, policiais analisaram imagens de câmeras de segurança. Por volta das 23h40, João Pedro foi localizado durante um patrulhamento na região. Segundo o boletim de ocorrência, ele correu ao perceber a aproximação dos policiais e foi abordado na Rua Gândavo.

Durante a revista, os policiais encontraram com ele o documento de identidade de Isabela e um celular que pertencia à vítima. Ele também carregava um lençol semelhante ao que aparecia nas imagens de segurança.

De acordo com o relato registrado pela polícia, João Pedro disse que mantinha um relacionamento amoroso com Isabela havia cerca de um ano. Segundo o depoimento, ele decidiu matá-la porque teria descoberto, dias antes, que ela o mataria.

O suspeito também afirmou que havia usado crack na noite do crime e que Isabela não havia usado drogas. João Pedro permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça.

Fonte: g1 PB