A Polícia Federal identificou um novo desdobramento na investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar. O rastreamento de R$ 468,7 mil em dinheiro vivo apreendidos anteriormente com o líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante, levou os investigadores a empresas ligadas a dois advogados que, segundo a corporação, movimentaram mais de R$ 15 milhões em saques em espécie. As informações constam de representação encaminhada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, parte do dinheiro apreendido estava acondicionada em pacotes bancários com etiquetas de identificação utilizadas pelas instituições financeiras. Essas informações permitiram rastrear a origem dos valores até contas de duas empresas. A partir desse cruzamento de dados, os investigadores chegaram aos advogados irmãos Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino, alvos da terceira fase da Operação Rent a Car.
Segundo a investigação, os dois irmãos teriam movimentado, juntos, mais de R$ 15 milhões por meio de sucessivos saques em dinheiro vivo. Ainda de acordo com a PF, os recursos circulavam entre empresas do mesmo grupo antes de serem sacados em espécie, dinâmica que, na avaliação dos investigadores, pode indicar uma tentativa de dificultar a identificação da origem e do destino dos valores.
A investigação aponta ainda que Jonas figura como empresário vinculado a diversas pessoas jurídicas, principalmente nos setores da construção civil e de empreendimentos imobiliários. Já Jecy Kenne, conforme os autos, teria atuado diretamente na gestão das operações financeiras do grupo, inclusive por meio de procurações.
Entre os alvos da operação também está o advogado Thiago Ferreira de Paula, apontado pela investigação como comprador do imóvel que, segundo Sóstenes Cavalcante, justificaria a origem dos R$ 468,7 mil apreendidos.
Segundo os investigadores, Thiago apresentou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada. Até o momento da apuração, também não foi identificado registro de saque de aproximadamente R$ 500 mil que, de acordo com a escritura do imóvel, teriam sido pagos em espécie.
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A Polícia Federal também destacou que o registro da transferência do imóvel somente ocorreu após a apreensão do dinheiro. Segundo a corporação, esse fato integra o conjunto de elementos sob análise e, por si só, não representa conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos investigados.
Nesta terceira fase da Operação Rent a Car, o deputado Sóstenes Cavalcante não foi alvo de mandados de busca e apreensão nem de prisão. Os mandados foram direcionados aos advogados investigados e a pessoas apontadas pela Polícia Federal como integrantes da estrutura financeira analisada.
PF investiga suposto esquema envolvendo verba parlamentar
A Operação Rent a Car apura um suposto esquema de desvio de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), verba destinada ao custeio de despesas relacionadas ao mandato de deputados federais, especialmente contratos de locação de veículos.
Segundo a Polícia Federal, há indícios da participação de agentes públicos, particulares e empresas que, conforme a investigação, teriam sido usadas para conferir aparência de legalidade às movimentações financeiras analisadas.
Além da suspeita de desvio de recursos públicos, a investigação também apura possíveis tentativas de ocultação ou destruição de provas. O inquérito segue em andamento e, até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.
Fonte: Blog Jair Sampaio





