O sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado a 20 anos de prisão pelo estupro e homicídio da estudante Zaira Cruz durante o Carnaval de Caicó, em 2019, foi excluído da corporação, na sexta-feira (17).
Na decisão, assinada pelo comandante-geral da PM, coronel Alarico Azevedo, o comandante determina a exclusão “a bem da disciplina” e afirma que a condenação criminal tornou o militar incompatível com a permanência na ativa.
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O documento cita a “manifesta incapacidade moral superveniente” de Pedro Inácio e sustenta que a conduta viola os deveres inerentes à condição de policial militar.
O texto aponta ainda que a conclusão foi fundamentada no veredito do Tribunal do Júri e afirma que a condenação caracteriza “infração aos deveres do policial militar, atingindo o sentimento do dever, o pundonor policial-militar e o decoro da classe”.
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Em março deste ano, o g1 mostrou que Pedro Inácio Araújo de Maria foi promovido duas vezes e continuou recebendo salários normalmente durante os cerca de sete anos em que esteve preso sob custódia da corporação no Rio Grande do Norte.
Nesse período, o salário do militar mais que dobrou, saindo de pouco mais de R$ 4 mil em março de 2019 para mais de R$ 10,6 mil no último mês de fevereiro, de acordo com os dados do Portal da Transparência.
O servidor recebeu quase R$ 600 mil em salários brutos (sem desconto de previdência) ao longo desse tempo.
Quando foi preso, o militar era cabo da Polícia Militar, mas foi promovido a terceiro sargento e depois a segundo sargento enquanto aguardava julgamento.
Zaira Cruz foi encontrada morta na manhã do sábado de carnaval de 2019, em 2 de março. Natural de Currais Novos, ela havia alugado uma casa com amigos para as festividades. Na mesma casa, segundo a Polícia Civil indicou na época, estava o sargento Pedro Inácio.
A estudante foi encontrada morta dentro de um carro que estava no condomínio dessa residência.
Na época, o delegado do caso, Leonardo Germano, relatou que foi o próprio sargento da PM quem chamou a polícia.
Na ocasião, ele contou que havia tido relação sexual com a jovem dentro do carro, antes de chegarem ao condomínio. Ele teria dito que a jovem “apagou” dentro do veículo e que ele a deixou dormindo no carro porque quis acordá-la. Quando amanheceu, ele teria ido vê-la no carro e a encontrou morta.
A polícia, no entanto, entendeu que a jovem já chegou morta ao local.
Zaira morava em Mossoró, onde cursava Engenharia Química da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). O sargento Pedro Inácio era lotado no Fórum de Currais Novos.
Fonte: g1 RN






