Polícia afirma que vídeo de Felca foi ‘ponto catalizador’ na investigação contra Hytalo Santos

Influenciador Hytalo Santos é preso em SP em investigação contra exploração de menores — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Influenciador Hytalo Santos é preso em SP em investigação contra exploração de menores — Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoInfográfico - Entenda o debate sobre 'adultização' que viralizou nas redes envolvendo Felca e Hytalo. — Foto: Arte/g1

A Polícia Civil da Paraíba afirmou que o vídeo do humorista e youtuber Felca foi um “ponto catalisador” para as investigações contra o influenciador paraibano Hytalo Santos. Sem citar diretamente o youtuber, a delegada Cassandra Duarte destacou que o inquérito policial já estava em andamento, mas que foi necessária uma ação para evitar a perda de provas e evidências.

A delegada Cassandra Duarte informou que a investigação é conduzida pelo Ministério Público, em parceria com a Delegacia de Crimes Cibernéticos da Paraíba. Segundo ela, foi solicitada a prisão preventiva e mobilizada toda a inteligência policial para identificar o paradeiro do suspeito e acionar a Polícia de São Paulo.

Segundo a delegada, ela não poderia comentar os detalhes da investigação por envolver crianças e adolescentes. Cassandra Duarte também afirmou que as contra o influenciador paraibano continuam na Paraíba.

Segundo a Polícia Civil do estado de São Paulo, Hytalo Santos e Euro não ofereceram resistência ao se entregar e entregar os celulares, que estão à disposição da polícia da Paraíba como custódia de provas.

Os influenciadores passarão por exame de corpo de delito e audiência de custódia, que deve ser realizada até amanhã no município de Carapicuíba, onde foram presos. Os suspeitos permaneceram em silêncio durante o depoimento.

Durante a prisão em São Paulo, também foram apreendidos oito celulares e um veículo. Segundo a Polícia Civil, havia oito pessoas na residência em que eles estavam, mas nenhuma era menor de idade.

A defesa do influenciador Hytalo Santos e do marido, Israel Vicente Nata, conhecido como Euro, afirmou que ambos são inocentes e que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão que determinou a prisão preventiva deles. O casal foi preso na manhã desta sexta-feira (15), em São Paulo, sob suspeita de tráfico humano e exploração sexual.

O advogado Sean Abib também disse que que vai ingressar com habeas corpus e tomar todas as medidas judiciais necessárias para assegurar os direitos do casal assim que tiver acesso aos motivos da decisão judicial.

“Até o momento, não tivemos acesso ao conteúdo da decisão que determinou a medida extrema, o que impossibilita uma manifestação mais detalhada. Assim que tivermos ciência dos fundamentos, adotaremos todas as medidas judiciais cabíveis para resguardar os direitos de Hytalo, inclusive com o ingresso de Habeas Corpus, se for necessário”, declarou a defesa.

Abib ainda afirmou que Hytalo e Euro sempre se colocaram à disposição das autoridades.

Os influenciadores foram presos nesta sexta-feira (15) em uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Desde o dia 6, quando Felca citou em um vídeo a atuação de Hytalo na criação desse tipo de conteúdo com menores, o influenciador foi alvo de medidas da Justiça da Paraíba em resposta a uma ação civil pública do MPPB, além de mandados de busca e apreensão.

A prisão deles envolveu o MPPB em atuação conjunta com o MPT, a Polícia Civil da Paraíba e de São Paulo, além da Polícia Rodoviária Federal.

As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa da 2ª Vara da Comarca de Bayeux, na Paraíba.

Em sua decisão, o magistrado disse que “há fortes indícios” de tráfico de pessoas, exploração sexual e trabalho infantil artístico irregular, produção de vídeos com divulgação em redes sociais e constrangimento de crianças e adolescentes, entre outros crimes.

Ele argumentou ainda que a prisão tem como objetivo “impedir novos atos de destruição ou ocultação de provas, bem como evitar a intimidação de testemunhas”, acrescentando que essas “situações que já vêm ocorrendo desde que os investigados tomaram conhecimento da existência da investigação em seu desfavor”.

O juiz ressaltou que os dois “já destruíram elementos de prova; já removeram tudo aquilo que seria apreendido; já turbaram a investigação criminal, e tais situações estão claras nos autos”.

A investigação do MPPB começou em 2024. O caso é dividido em duas promotorias, a de Bayeux e a de João Pessoa:

Em ambos os processos, Hytalo foi ouvido e negou as acusações. Os adolescentes foram ouvidos somente no processo de João Pessoa, que começou primeiro, para que não fossem revitimizados.

🔎 Emancipação é o ato que concede a um menor de idade, entre 16 e 18 anos, a capacidade civil plena, permitindo que ele pratique todos os atos da vida civil como se fosse maior de idade, por exemplo, assinar contratos, comprar e vender bens, entre outros.

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Fonte: g1 PB