Enquanto a maior parte da população já encerrou a rotina do dia, trabalhadores da reciclagem começam a ocupar as ruas do Centro de Campina Grande em busca de materiais descartados. Em meio ao movimento reduzido do comércio, catadores percorrem avenidas e calçadas puxando os chamados “robôs”, que são grandes sacolas usadas para armazenar resíduos recicláveis que, depois, são vendidos em sucatas da cidade.
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A atividade, considerada essencial para a limpeza urbana e para a preservação ambiental, ainda é marcada pela informalidade, baixa remuneração e condições precárias de trabalho. Cada “robô” cheio rende, em média, cerca de R$ 100 para as famílias que dependem da reciclagem como principal fonte de renda.
Catadora há mais de 30 anos, Mária de Fátima relata as dificuldades enfrentadas diariamente para continuar trabalhando, mesmo com problemas de saúde.
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Apesar das dificuldades do trabalho informal, muitos catadores preferem atuar de forma independente para ficar com todo o valor arrecadado. Outros trabalhadores, no entanto, passaram a integrar cooperativas e associações de reciclagem, modelo que vem crescendo em Campina Grande.
Paulo Borges trabalhou durante duas décadas no lixão da cidade antes de ingressar em uma cooperativa.
Segundo a engenheira ambiental Rafaela Oliveira, a atuação em cooperativas permite mais segurança e acesso a direitos básicos para os trabalhadores.
Dentro das cooperativas, a renda obtida com a venda dos recicláveis é dividida entre os associados, garantindo ganhos próximos ao salário mínimo mensal. O uso de equipamentos de proteção também passa a ser obrigatório.
Já outros trabalhadores continuam atuando de forma autônoma, buscando alternativas para aumentar a renda. Fernando Alves, por exemplo, vende materiais recicláveis para empresas de mudança e fretes.
Para muitos catadores, a reciclagem surgiu como única alternativa diante da dificuldade de conseguir emprego formal. José Graciano trabalha na atividade há quase duas décadas após perder o emprego.
Mesmo diante das dificuldades, muitos trabalhadores afirmam encontrar dignidade no serviço que realizam diariamente nas ruas da cidade. “Graças a Deus, a minha vida todinha foi trabalhando. É melhor você estar fazendo as coisas certas do que estar pegando as coisas erradas. A gente sabe que para julgar é muito fácil, né? Para ver o lado da pessoa é meio difícil”, afirmou José Arimatéia.
Fonte: g1 PB






